Omar Talih


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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Amantes...Inimigos!

(auto)...Destruição
(Drummond)
Os amantes se amam cruelmente
e por se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são?
Dois inimigos.
Amantes são meninos estragados pelo mimo de amar:
e não percebem quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.
Nada.
Ninguém.
Amor, puro fantasma que os passeia de leve,
assim a cobra se imprime na lembrança de seu trilho.
E eles quedam mordidos para sempre.
Deixaram de existir, mas o existido continua a doer eternamente

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

LIMPEI MEU ARMARIO...

A vida sempre nos dá aquilo que pedimos. Não importa o que seja. Muitas vezes pedimos algo e não estamos preparados para recebe-lo. Reclamamos pela demora, mas não paramos para ouvir o que ela, a vida, nos diz: Você está pronto? É realmente isto que quer?
Somos sempre imediatistas, queremos agora! Queremos para ontem! Então, com toda a sabedoria começa a vida a preparar nos o caminho. Nós não a entendemos e esquecemos com facilidade o que pedimos. Com sua sabedoria ela nos dá em doses homeopáticas aquilo que desejamos, pois sabe que de outra forma nos seria letal.
Em nossa ganância e egoísmo, não olhamos a nossa volta. Não reconhecemos que outros também tem necessidades.
Cometemos erros... como os cometemos!! Mas para não admiti-los, os escondemos. Passamos a espelhar nos outros o mal que existe em nós. Estamos sempre insatisfeitos. Somos eternas vítimas e todos ao nosso redor são algozes. Sempre que nos vemos carrascos, tentamos destruir o reflexo. É mais fácil quebrar o espelho.
De repente, nos encontramos com o armário da memória cheio de esqueletos a rondar nosso presente. Nós só temos o presente. Os esqueletos no armário estão no passado. Não temos como alterar o que foi feito. A vida é uma estrada onde só se vai para a frente, queiramos ou não.
Então como me livrar dos fantasmas e enxergar o que estou recebendo da vida neste instante, pois sei o que pedi.
Ouvi dizer que tememos o novo. Que nos apegamos a coisas velhas e nos habituamos a viver do passado, de lembranças.
Só estarei livre dos fantasmas quando limpar meu armário , queimar os esqueletos e enterra-los no passado. Mas, que esqueletos são estes?
São: atos, palavras, acusações, posse da alma e da vida alheia, egoísmo, ódios... desejos de vingança....
Limpei meu armário. Incinerei meus esqueletos. Depositei suas cinzas em urna bem guardada. Deixei-as no passado.

domingo, 9 de agosto de 2009

Renovação...(re) Nova Ação.

(imagem de jornal)
Durante muitos anos, corri para apagar o fogo que principiava. Eram horas de angustia. Depois gastava dias a remendar a lona. Meu circo mais parecia uma colcha de retalhos.
Toda noite, após o espetáculo, o medo de não ter agradado, de ter sido uma atuação ruim.
Nós, palhaços, estamos sempre sorrindo, fazendo caretas, arrancando gargalhadas. Algumas vezes somos palhaços, noutras nos fazemos assim.
Um dia, olhei do picadeiro e vi que havia muitos furos, outros tantos remendos, quase não se via lona.
A atração era sempre a mesma. Faltava variedade, era pouca a qualidade e havia cada vez mais espaço entre uma apresentação e outra.
Por mais esforço que se faça, a trupe busca novos ares, monta seu próprio circo.
Outra vez o circo pegou fogo. E como de costume corri a debela-lo. A medida que a chama diminuía, senti que aumentava a angustia. Parei.
Permiti que as labaredas ganhassem vida.
Poderia deletar, esconder cada item que sei, nessas horas se tornam inflamáveis. As chamas cresceram, dominaram e começaram a destruir coisas velhas.
Sentei-me ao largo e fiquei olhando, espectador de meu próprio ato.
Enquanto arde, lembro-me de certas sementes que só germinam após grande queimada. Sei que toda vez que impedimos a natureza de seguir seu curso, não a estamos ajudando. Não permitimos com nosso ato que a vida se renove.
Sei que muito se perde num incêndio. Que meus medos e segredos se farão descobertos. Que meu circo se queimou. Acabou a lona rota, se fez cinzas a arquibancada.
Desta feita, não haverá renovação. Isto implicaria em reaproveitar coisas velhas, mascarar o antigo com ares de moderno.
Desta vez Respirar uma Nova Ação. Mas o fogo ainda não apagou. Não desperdiçarei água limpa... deixarei para regar a nova vida que sei, brotará das cinzas.

DIA DOS PAIS...dia dos filhos!

A principio apenas mais uma data comercial. Aparentemente não nos importamos. É só mais um dia como outro. Na verdade não é bem assim.
Aguardamos um "Bom dia, pai! Parabéns. Você não é o melhor pai do mundo, mas é o meu pai e o admiro com todos os seus erros e acertos."
Sabemos que com o passar dos tempos, somos descobertos como realmente somos; cheios de falhas, fraquezas e não o herói indestrutível que esta sempre certo. Somos apenas humanos, com necessidades, angustias e que embora não deixemos ver, choramos, sentimos medo. Nos fazemos fortes para que os filhos se espelhem e se façam fortes. Damos nossas vidas para que também eles conquistem as suas.
As vezes cometemos erros, extrapolamos limites e magoamos ao sermos descobertos tão humanos.
Dia dos pais... dia dos filhos...
A cada dia compreendo melhor o pai que tive e tenho por ele um respeito ainda maior.
Parabéns meu pai... parabéns meus filhos...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

AUSÊNSIA... (de palavras)

Poeta não vive sem poesia e quando lhe falta a voz, busca auxílio. Mesmo sendo como anfíbio, a poesia é o oxigenio que dá vida alimento. Não se escreve sem sentimentos, não se vive sem eles.
Hoje vem em meu socorro Vinícius que foi versejar em outros mundo.
Ausência
(Vinícius de Morais)
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar seus olhos que são doces...
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres exausto...
No entanto a tua presença é qualquer coisa, como a luz e a vida...
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto...
E em minha voz, a tua voz...
Não te quero ter, pois em meu ser tudo estaria terminado...
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados...
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada...
Que ficou em minha carne como uma nódoa do passado...
Eu deixarei...
Tu irás e encostarás tua face em outra face...
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada...
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu...
Porque eu fui o grande íntimo da noite...
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa...
Porque os meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
E eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém, porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas,
Serão a tua voz presente, tua voz ausente, a tua voz serenizada.

domingo, 2 de agosto de 2009

Tá tudo lá... na internet!

"Liberdade, liberdade...
Abra as asas sobre nós,
Liberdade, liberdade...
Quero ouvir a tua voz."

É um lugar onde encontramos o que queremos e nossa imaginação pode voar sem impedimentos.
Liberdade... é só entrar e viajar... não importa o que estejamos procurando... tá tudo lá... na Internet.

sábado, 1 de agosto de 2009

Soltando meus cachorros.

Repressão, confinamento, amarras. Tantos anos de aprisionamento numa cela sem portas nem grades.
Por que me fiz prisioneiro?
Tantas justificativas para o que não tem explicação. Tempo perdido com palavras ditas numa, entendida
n'outra língua. Ouve-se o que se quer, entende-se o que convém..
Horas passam... desperdício.
Por que dar-te-ia uma rosa, se posso ferir-te com os espinhos?
Para que dizer-te palavras de amor, carinho, se posso criticar-te a poesia?
Por que saciar-te o desejo de sexo, fome de atenção, se me é mais fácil cobrar-te a castidade
e proibir-te os olhares?
Como posso ver-te tão feliz, se não posso sê-lo?
Na verdade não sabemos o que fazer com o tempo que temos a nossa disposição.
Casa pequena, enorme cama. Tão grande que dormimos lado a lado sem um toque,
sem notar a presença um do outro.
Dores, amores, dissabores... Estou soltando meus cachorros.
Quero vê-los correndo pela chuva, rolando pela lama, penetrando pelas matas em busca de aventuras.
Quero-os soltos, livres das amarras, cães sem dono... vira-latas.
Melhor vê-los magros, sem comer,que amarrados sem alcançar água e alimento.
Melhor vê-los dormindo ao relento, livres, que prisioneiros em canil reluzente.
O mesmo pão que alimenta um, envenena ao outro.
Pensamentos doces, ferinas palavras. Milagres no olhar, pecados a pagar.