Há dias que por mais que queiramos, nada temos a dizer. Apenas silêncio.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010
Para nós???
As mulheres reclamam que se pintam e se enfeitam para nós seus maridos/namorados/amantes/ficantes... casos, enfim. Será? Somos merecedores de tanto trabalho? Tomo por base a minha companheira de longos anos, uns 27. Pode parecer loucura nos dias de hoje, um casal permanecer por tanto tempo juntos e ainda haver interesses de parte a parte. Não vou entrar nos detalhes sórdidos da relação. É que depois de tanto tempo podemos nos dar ao luxo de sermos honestos um com o outro sem ferir ou se sentir assim. Numa sexta feira, por volta de quatro horas da tarde, ela vai para o salão de beleza para fazer uma escova progressiva, pintar as unhas e sei lá mais o que. Quase 5 horas depois ela volta com o cabelo chapado e esmaltes ainda úmidos, não podendo tocar em nada, nem ser tocada. Nesse meio tempo, terminei de lavar a roupa que ela havia começado, lavei toda a louça suja e deixei tudo pronto para fazer a janta tão logo ela chegasse. Ela queria uma sopa de legumes e tinha separado e colocado alguns legumes numa vazilia há alguns dias e deixado na geladeira. Eu dizia que aquilo acabaria estragando, caso não fosse feito e pedi para fazer uma salada com eles. A princípio concordou, mas depois de chegar e vê-los cozidos, resolveu que faria sua sopa. Até aí, tudo bem. Então me aproximei e quis dar-lhe um cheirinho, tocar em seu cabelo. " Cuidado com o esmalte, ainda não esta seco." Para mim, foi o mesmo que dizer: "Fique longe." Um pouco mais tarde, enquanto tomávamos sopa, fiquei sabendo que ela não poderia lavar os cabelos por uns três dias. Nada de mais. A noite, quando tentei me aproximar novamente e fazer um cafuné, fui impedido, pois poderia desmanchar o penteado. Resumindo, "Não poderia toca-la". Então perguntei por que ela havia feito tudo aquilo? Resposta: Para mim! Simples assim. Disse que ela estava plastificada e ela calmamente respondeu que sim por uns dias. Então, para quem elas se produzem toda? Para elas mesmas ou no máximo para fazer inveja a outras de seu convívio, não para nós seus reles parceiros que serão massacrados caso não reparem que cortaram um 'pelímetro' do cabelo e fizeram uma mecha mais clara no cabelo louro intenso nº 5. E durma com esse barulho ou melhor, sozinho.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Com a boca na Botija...
Quando servi ao exército em 1975, era um "laranjeira", soldado que passa a maior parte do mês no quartel por morar distante ou outro motivo qualquer. Estávamos no auge da ditadura e fazia pouco que a guerrilha armada havia sido vencida. A guerra do Viet Nan mal acabara e o movimento hippie era forte . Os negros americanos lutavam contra o racismo com o movimento Black Power e havia adeptos mundo afora. Antes de me alistar, fui hippie e Black, ostentando uma cabeleira que fazia meu rosto sumir. Era uma época de muito machismo, lutas livres e fazer artes marciais era o sonho da juventude. O exército era um lugar de homens e machos. Não se admitia mulheres ou homossexuais em suas fileiras. As forças armadas sempre foram conservadora e moralista, embora haja ali mais homossexuais do que nos é permitido saber. Mas isto não é o assunto do momento. Durante meu tempo de caserna, tive um oficial que era descaradamente gay e todos sabiam, desde o comandante até o mais raso dos soldados. Era tão visível sua preferência que ele foi 'suspenso' de alguns exercícios que deveria ministrar a tropa. Havia também um soldado que tinha entrado na mesma época que eu e estava fazendo o curso de 'Cabo'. É o início da carreira para quem quer seguir nas armas. Ele queria que os outros soldados o respeitassem como superior e por isso me perseguia, pois jamais o tratei como tal. Um dia cheguei pela tardinha, depois de um dia de folga, estava escalado para o serviço de sentinela no outro dia e, havia um grande alvoroço no quartel. O oficial do dia me chamou para auxilia-lo nos procedimentos e perguntou se eu estava no meio da confusão. Não senhor!, foi minha resposta sem saber do ocorrido. Então, conversando com outro soldado, soube dos fatos: Tudo começou com alguns soldados detidos por alguma transgressão as normas estabelecidas. Eles não teriam folga de final de semana e permaneceriam no quartel até 2ª feira a tarde, aqueles que moravam na cidade, os laranjeiras só sairiam no próximo final de semana. Para compensar o tédio da detenção, resolveram comprar pinga, limão e açúcar e fazer uma festinha, embora fosse proibido, não teria problemas. Foi o que pensou o sargento do dia, fazendo vistas grossas. No auge da bebedeira, o soldado que fazia curso de 'Cabo' ficou eufórico e arrumou um parceiro. Foram para o fundo do alojamento e se atracaram. A gritaria e gemedeira foi enorme e os outros foram ver o que se passava. O futuro 'Cabo' tinha outro soldado grudado e fungando no seu cangote. Deu desespero geral. Ninguém sabia o que fazer. Chamaram o sargento que chamou o tenente oficial do dia, que ordenou que fossem encaminhados presos. A notícia correu feito fogo em pólvora e depois de três meses de processo, ambos foram expulsos do exército. Tinha também um sargento que era admirado por todos. Ele tinha o porte físico do Daniel Greic, o James Bond; louro, olhos verdes, voz grossa e massa muscular que causava inveja na rapaziada. Quando ele dava instruções, a atenção era total. Mas, durante o tempo de serviço, a maioria dos soldados estão sempre duros, ganham pouco e quase sempre gastam o que tem com prostitutas e outros programas desaconselháveis. Porém, um, embora fosse laranjeira e de família humilde, estava sempre com dinheiro e dificilmente estava de serviço nas sextas feiras. Um dia, voltávamos da farra para o quartel por volta de 23 horas e vimos um carro parado a uns 500 metros do portão das armas. Estávamos em dez mais ou menos e por curiosidade em saber se era um casal transando, cercamos o carro para ver seu interior. Naquele tempo não se usava filmes nos vidros. Os ocupantes estavam tão envolvidos no ato que não perceberam nossa aproximação. Nos dividimos em dois grupos e cada um foi por um lado. Ao olharmos pelo vidro embassado, vimos o sargento com a "boca na botija" e entendemos porque aquele soldado sempre tinha dinheiro. Ao nos ver, o sargento engoliu o que tinha na boca e abriu a porta do carro, mas já estávamos correndo em direção ao quartel morrendo de rir. A partir daquele dia, as instruções do sargento já não despertava tanto interesse e embora jurássemos que nada havíamos falado, o quartel inteiro tomou conhecimento do fato. Depois disso, aquela unidade ficou conhecida como "Nosso Cantinho", alusão a um bar de homossexuais existente na cidade.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Das idotices
que cometemos todos os dias, algumas são comicas mas, beiram ao trágico. Conheço um casal de engenheiros eletricistas que ao trocar uma lâmpada cometem uma desta bobagens que poderia terminar mal. Darei um nome fictício para eles. Visto a inteligencia empregada no ato, poderia chama-los "Bob Esponja e Patrick", mas como se trata de um casal, vamos chama-los de "Sereia do Mar e Bob". Nosso casal de 'engenheiros', dividem o apartamento com outros seres que habitam este planeta. Eles moram no 12º andar de um prédio de apartamentos na Fenda do Biquíni, leia-se São Paulo, num bairro como outro qualquer. Como acontece com aparelhos elétricos usados em todos os apartamentos e casas mundo afora, as lâmpadas de lá, estão sujeitas a "queimar" iguais as outras. Mas, porque se preocupar quando se tem em casa um casal de Engenheiros Eletricistas e que não vêem nenhuma dificuldade em substituir a peça danificada. Basta pegar uma escada com o zelador do condomínio e fazer o serviço, certo? Seria se fosse executado por simples mortais. Mas, nosso casal de heróis, depois de procurar pelo responsável pela guarda dos equipamentos do condomínio, para não aguardar por um interminável dia e executar a tarefa com segurança no outro, resolvem que o fariam do "Geitinho" brasileiro e subindo ela nos ombros dele, Sereia do Mar e Bob, começaram a executar a difícil tarefa de trocar uma lâmpada. Como todo casal de propaganda de tintas para parede, eles levam aquilo na brincadeira e num descuido, perdem o equilíbrio e caem sentados sobre uma cama, pois o serviço estava sendo executado no quarto de um dos seres que dividem com eles o apartamento. Na queda, ela é projetada contra a janela e quebra o vidro que despenca 40 metros abaixo, caindo no pátio comum, onde outros habitantes do condomínio faziam uma festa. O susto foi grande, mas ninguém se feriu. Como disse uma furiosa moradora do apartamento, "Não sei se por obra de Deus ou do Diabo, nada de mais grave aconteceu". Além de colocar a vida de outros em risco, a Sereia do Mar, poderia ter sido arremessada pela janela e se espatifado no chão da quadra, dando o maior trabalho para os encarregados da limpeza, que teria de "limpar" a grande cagada. Não chegou a ser trágico, mas terão de substituir o vidro quebrado e a conta com quem deve ficar?
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Dia dos Mortos- Finados.
Pode parecer mórbido falarmos de morte e pessoas mortas, mas é prazeroso pensar nisto, principalmente porque nos força a lembrar da única coisa certa que temos na vida. E por falar nela, podemos perceber que por mais que se tenha medo da morte, pouco se respeita a vida ou se dá o valor e importância que ela tem. na minha opinião, o que cria esse medo, não é a morte em si, mas a visão da putrefação do cadáver. É ver o processo de decomposição que nos remete ao imaginário de horror. Talvez por isso, por essa dissociação vida/morte que não a respeitemos. O que nos assusta, não é a eternidade da morte, noção que tinham os antigos e tentavam se perpetuar através da mumificação. Hoje, temos "múmias" vivas, como zumbis presas a tudo que a medicina pode prover e o dinheiro comprar. Egoísmo do morto vivo, avareza dos que lucram com isto. Mas por que será que cultuamos o dia dos mortos? Talvez seja a única data que não tenha nascido de algum interesse comercial, mesmo que hoje seja um grande negócio. Se cremos e, a maioria crê que, há uma outra vida e reencarnação, então não tem sentido acender velas, levar flores e comida para um espírito que sabemos não esta ali. O que espiamos com isto? Nossas culpas, desejos secretos e inconfessáveis que nos acompanharão em nossa passagem para a eternidade? Muitos talvez sejam sinceros na saudade e falta que sentem, mas, não poderiam ter feito algo mais enquanto havia vida? Cabe a cada um a sua verdade. Hoje porém, é dia dedicado aos mortos e como o natal, carnaval ou São João, viva o "Dia de Finados". sábado, 30 de outubro de 2010
54!
Nunca tive uma festa de aniversário. A que me lembro, que acabou num grande fiasco, foi há muitos anos quando era ainda um 'pivete', hoje adolescente. Recordo-me que um de meus irmãos e mais um amigo, resolveram que deveríamos comemorar meu aniversário com refrigerantes e presentes. Logo cedo, me chamaram e fomos para uma feira livre, que ficava a meia hora de casa, a pé. Lá chegando, percebi que seria um dia diferente. Um deles me distraiu e o outro "roubou" em uma banca um par de sapatos que me seria dado como presente pela data. Após o feito, mal feito por sinal, eles compraram algumas garrafas de "Tubaina" refrigerante que só se encontra por aqui e fomos comemorar. É claro que não se importaram em observar o numero do par de sapatos. Quando me entregaram para experimentar, vimos que era pelo menos quatro números maior e fiquei como se tivesse um caiaque nos pés. Aquilo virou piada e rolando de rir, meu amigo me chamou de "canoa", pela desproporção entre o pé e o calçado. "Se entrar na agua não afunda". A partir deste dia, até hoje, ele só me chama de "Canoa". Não houve uma festa propriamente, mas foi muito engraçado.
Histórias sem fim.
A medida que tomava conhecimento de minhas raízes, sentia o sangue mais quente correndo nas veias. Ficava imaginando uma cena de faroeste. E pensar que tudo que acontecia, era motivado por um pedaço de terra. Não conseguia imaginar quão valioso poderia ser aquele caminho para o gado, com não mais de um metro de largura. Será que haveria solução pacífica para um conflito que a meu ver era banal, mas não era para eles o tipo de problema que se resolve na conversa. Enquanto os homens mudavam a cerca, meu primo, com o revolver na cintura foi ter com eles. Não houve dialogo. Quando ele se aproximou, um dos homens o atacou com um enxadão, golpeando-lhe a cabeça. Caído, retirou a arma do coldre e levou-a em direção a um outro homem que o atacava, desferindo um golpe de facão. Um tiro soou e o inimigo cai ferido de morte, não sem antes acertar-lhe a mão, quase decepando um dedo. O primeiro agressor que estava com o enxadão, ao ver o irmão agonizando em seus últimos segundos de vida, novamente partiu para o ataque. Outro tiro, outro corpo caído ao chão. A bala penetrou pelo queixo do lado esquerdo e saiu pelo outro lado próximo a orelha, por isso a impressão de faltar um pedaço do queixo e enorme pelota abaixo dos olhos. Ainda com a arma na mão, aponta para os outros homens que acompanhavam aqueles que jaziam sobre uma poça de sangue. "__ Nós não temos nada com isso, só trabalhamos pra eles." As ferramentas foram abandonadas e socorrem os baleados. Um esta morto com um tiro no coração, o outro ofegante com o maxilar quebrado, olhos esbugalhados . Os empregados os carregam , enquanto meu primo ferido volta para casa. As duas fazendas estão muito distante da mais próxima cidade, onde haveria um hospital e uma delegacia de policia. O fazendeiro ferido foi levado para um povoado onde um " pratico", uma espécie de médico, farmaceutico e veterinário atende a população. A policia foi avisada e chegou uma semana depois, apenas para registrar o fato, ninguém foi sequer chamado para depor. O morto foi enterrado na propriedade, a cerca não mais foi mudada de lugar. Tempos depois, meu primo vendeu suas terras e mudou-se para Goiás. A partir dai e cheio de orgulho, esqueci-me da politica e mergulhei de corpo e alma naquele paraíso.
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