Omar Talih


localizar

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Abuso sexual, racismo e bulling

Abuso!?
Quando eu morava no interior, há muitos anos, ainda criança, com uns 4 ou 5 anos, morava numa casa simples de madeira e tinha por vizinha uma família que tinha uma filha de uns 20 anos, pouco mais talvez. Ela trabalhava e só chegava em casa de tardinha, mas todos os dias, ia até minha casa e pedia para minha mãe se podia dar banho em mim. É claro que para minha mãe, era uma ajuda bem vinda. Então ela me levava para a casa dela e íamos para o banheiro. Ninguém na casa dela também se opunha, era apenas a demonstração de carinho que ela tinha para comigo e o quanto ela gostava de crianças, seria uma ótima mãe. Naquele tempo, não tínhamos chuveiros elétricos e tomávamos banho de bacia com agua aquecida no fogão a lenha. Todos sabiam que ela também se banharia e por isso haveria uma certa demora. Tudo já estava preparado antes de me pegar em casa. Lembro-me dos carinhos que ela fazia, dos beijos pelo corpo e de me oferecer os peitos como se estivesse me amamentando. Moramos naquela casa por 2 anos e nos mudamos, nunca mais a vi.

Racismo!
Mudamos para São Paulo em 1964, no início da Ditadura Militar, em busca de vida melhor na cidade grande. Morávamos em 15 pessoas de duas famílias numa garagem de 12m². Depois de um ano, conseguimos uma casa de aluguél e nos mudamos. Por essa época, entrei para a escola primária, já tinha 8 anos, não sabia nada sobre escolas, pois, naquele tempo não havia pré ou coisa que o valha, diferente dos dias de hoje que colocamos os filhos em creches, berçários, pré escola, etc. Havia uma professora que não gostava de "pretos" e não escondia esse sentimento. Logo nos primeiros dias, colocou-me para sentar nos fundos da sala e gritava comigo por coisas que eu nem tinha feito. O dia que ela estava um pouco mais fora do normal, me batia com o apagador para castigar por conversas de outros alunos durante a aula. Um dia, após o 'recreio', senti uma forte dor de barriga e pedi para ela deixar que eu fosse ao banheiro.
___ Se quiser, faça nas calças, preto nojento! Foi a resposta que recebi de dona Jorgete. Não suportei e fiz. Depois, ela pediu para que eu saísse e fosse embora. Fiquei com tanta raiva que me recusei e então a diretora foi chamada e fui para casa. No outro dia, minha mãe foi até lá e conversou com ela. Não sei o teor da conversa, mas desse dia em diante, ela mudou o comportamento comigo, não que tenha se tornado minha amiga, mas não me perturbou mais. Se ela já morreu, não sei, mas que queime no inferno quando morrer.

Bulling.
Durante os anos de escola, arrumei muitos amigos e muitos desafetos também. Não sou negro, nem branco, mas como me chamava meu sobrinho, sou Marrom. Os dias de perseguição da professora e os castigos que ela me passava, onde deveria fazer as taboadas por mil vezes ou mais, me fizeram entender matemática mais que a maioria dos alunos do mesmo ano e muitos me pediam ajuda. A partir do 2º ano, as coisas mudaram. A professora gostava de mim e eu gostava das aulas dela. Alguns alunos, não aceitavam que eu soubesse mais que a maioria e que tirasse notas melhores, assim, me perseguiam e por várias vezes tentaram me agredir. Numa dessas tentativas, entramos em luta corporal, dois irmãos, um do meu tamanho e outro um pouco maior. Na confusão que se formou, peguei um tijolo e preparei para golpeá-los, quando a irmã deles falou em alto e bom som: ___ A mãe falou pra meter o canivete nele! Havia se formado uma pequena multidão a nossa volta e alguém gritou que eles estavam armados. Foram cercados e se não fosse a interferência da zeladora da escola eles certamente teriam apanhado muito da multidão. Enquanto isso, aproveitei para desaparecer dali e só voltar no outro dia, como se nada tivesse acontecido.  

3 comentários:

  1. Você devia ter quebrado a cara deles!

    E a história do golpe dado sem querer que meteu medo em muita gente?

    ResponderExcluir
  2. HUahuahuahauhau... burn in hell é o melhor...
    É tbm quero saber do golpe acidental!

    ResponderExcluir