Omar Talih


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sábado, 26 de dezembro de 2009

Então... se foi o natal!

Semana corrida. Preparativos muitos! Comprou-se tudo; comidas, tantas, bebidas idém. Brinquedos e lembranças... nem se fale.
Nesta semana, tiramos do armário a máscara empoeirada do espírito natalino e a vestimos. Apanhamos o saco cheio de hipocresia e o penduramos nas costas. Será um companheiro inseparável por uma semana ou duas, até 2 de janeiro do próximo ano. Distribuimos sorrisos amarelos, abraços com vontade de esganaduras, (alguns sinceros), beijos com sabor de cicuta. (conium maculatum)
É natal, o bom velhinho encorpora em todos. Glutões.
Bebe-se além da conta, por conta do natal. Come-se como porcos selvagens, que não sabem quando terão outra oportunidade, talvez na passagem do ano.
É engraçado o natal: Mulheres confinadas nas cozinhas, cheirando a pernil assado misturado com caldas das sobremesas. Homens reunidos pelos bares. Jogos, conversas tolas, bebidas e desejos de "Feliz Natal" a pessoas que passaram o ano a virar o rosto e negar um "Bom Dia".
Crianças... ah! crianças. Como diria Vinícius:
"... Ai a criançada toda chega e acabo achando Erodes natural...", são anjos a correr pela casa, mexer em tudo, quebrar algumas coisas... choro, manha... coisas de crianças.
As horas passam... mulheres na cozinha, homens nos bares, mas tem a T.V.
Voce muda de canal e tem a impressão de que o controle esta quebrado. Filmes bíblicos, há vinte anos os mesmos. Todos os programas são iguais; apresentadores, cenários, temas... decoração. De coração?
Papai Noel! Um velho safado, balofo, pedófilo que adora colocar criançinhas no colo e prometer-lhes presentes, caso elas sejam 'boazinhas'.
A ceia é um capítulo a parte. Reunião de familiares e agregados que não se veem a quase um ano. Que ótima oportunidade para reclamar da vida, do governo, falar das inúmeras doenças que o acomete, do coitado do vizinho que morreu de enfarto e outros que estão moribundos a espera da morte.
__ Como voce engordou! Lembra um deles e todos caem em gargalhadas, menos voce.
Meia noite! Começa a "Missa do Galo", transmitida ao vivo. E não adianta mudar de canal. Há outras tantas igrejas no ar, pregando o espirito do natal, reforçando a mentira contada a tanto e com tanta fé, que parece verdade.
.... Enfim, passou o natal, daqui a pouco será um novo ano... carnaval! Que venha 2010!

Ferida aberta...

Saudade é ferida aberta
Dor constante que a medicina não cura
É um queimar no coração
Que se espalha pelo corpo

Ausência é remédio paliativo
Tentativa vã de esquecimento
Esperança de cicatrizar marcas
Que nem a morte pode apagar

Saudade e ausência...
Letras rotas em páginas amareladas
Fugas, medos, e distâncias
De aventuras que não vivemos
De um tempo duro a desviar caminhos paralelos.

Amizade, amor, promessas (que não fizeste):
Eu te salvo, tu me salvas
Tua alma eu resgato, a minha...
Tu resgatas.

Tempos duros, remédio amargo
Viagens loucas, veneno doce
Ausência e Saudade...
Silêncio que mata... devagar!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Vestidos de noivas.


Para a MANU, que os tem postado pouco, ultimamente.

Oh! duvida!


Na duvida, leve os dois.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Aves que não voam.

Pensando sobre a 'Sindrome do Ninho Vazio', passou-me uma outra que é tão assutadora quanto. As aves que não voam. No primeiro caso, estudam os efeitos nocivos da partida dos filhos e as consequencias disto nos país que não sabem o que fazer com o tempo que passam a ter sem a preocupação com a prole. Comecei a observar famílias como a minha, onde habitam o mesmo espaço; avós, pais, filhos e agregados, netos, etc. Desconheço qualquer estudo deste fenomeno.
Observei que em muitos "ninhos", moram até 20 pessoas sem nenhum conforto ou privacidade, sem higiene e em pequenos 'puxadinhos' que crescem como um cancer. Não vou discorrer sobre o assunto, por falta de um estudo mais aprofundado, mas ficarei atento e buscarei mais informações."Aves que não voam", são filhos que não deixam a casa dos pais, são dependentes dos cuidados maternos e criam a falsa ideia de que cuidarão dos pais na velhice. Pelo menos tenho visto muitos que criam seus filhos como se fossem uma aposentadoria, a devolução do investimento feito ao longo dos anos. E talvez por isso que muitos não permitem que os filhos estudem, colocando-os cedo a trabalharem para ajudar no sustento da família.

Novelas emburrecem as pessoas.

Noutro dia comentei com alguém que as novelas emburrecem as pessoas. Ela se sentiu ofendida, pois é uma pessoa culta e lê todo tipo de revista, assiste a todos os programas possíveis, inclusive novelas mexicanas e chora toda vez que assiste 'Ghost', mesmo sendo o numero zilhão. Tentei explicar, com "X" e não com 'S', que não me referia a ela especificamente, mas não houve conserto.
Busquei informações, pois elas existem em algum lugar, para saber até onde havia exagerado. Lendo uma revista dos anos 80, encontrei uma notícia de que a extinta T.V. Tupy, havia adquirido uma série de desenhos da Mafalda, que deveriam substituir Tom e Jerry, por ser muito violento e proibido em diversos países, mas estava inédito até a data. A tv Tupy faliu, o Silvio Santos comprou os direitos e fundou o SBT. Pelo que vi, a Mafalda foi esquecida e o Chaves entrou no ar e não saiu mais.
Hoje analisando a programação que temos a nossa disposição e a audiencia em alguns deles, acho que minha amiga tem razão: As novelas sozinhas não emburrecem as pessoas. São um conjunto de programas voltados para essa finalidade. Poderia enumerar alguns, mas seria injusto com outros.
Programas religiosos que competem com os shoptv, novelas que não mudam o roteiro, apenas alguns personagens, acontecem sempre entre Rio e São Paulo e alguns países desenvolvidos.
Quanta cultura existe num programa Silvio Santos, que é absolutamente o mesmo nos ultimos 40 anos,
no Faustão, Gugu, e tantos outros que seguem a mesma linha. Apenas cópias baratas de algum programa americano. E os 'realitys' que grassam pela tv em horário nobre e vaza pela noite com absurda audiencia. Realmente as novelas não emburrecem as pessoas. Com a programação disponível, aprendemos a votar e escolher com seriedade os nossos governantes. Não estou falando do Lula.
São os Malufs, Genuinos, Arrudas, e tantos outros que me sinto perdido em meio a podridão.
Por que será que não se consegue livrar o país do militarismo repressivo que herdamos da Ditadura Militar, ditabranda para a Folha de São Paulo que é desconhecida pelos acreanos, para sorte deles, pelo menos é o que pensam alguns intelectuais aqui do sul maravilha. Creio que realmente estou enganado. As novelas não emburrecem as pessoas, apenas as aculturam e facilitam a manipulação.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

VIOLÊNCIA... nas considerações.

Lendo um blog de alguém do ACRE, em um post, dizia que numa palestra do Zeca Camargo, ele perguntava se o povo daquela região conhecia internet, usava Twitter, blog e numa outra palestra o professor Pascuale, perguntava se conheciam a TV Cultura e a Folha de S. Paulo. Só faltou perguntar se falavam portugues, como se este pedaço do Brasil pertencesse a outro planeta. Um pedaço de terra rejeitado pela Bolivia e desprezado pelo Brasil. Será que isto realmente aconteceu? Acredito em quem reclamou no blog. A pergunta é para os palestrantes. O Brasil não é apenas os estados do sul e sudeste.
Para mim, a atitude desses pseudos intelectuais que grassam o país e cobram caro para falar asneiras, são nazi-facistas, discriminatórias e sem sentido. Creio que eles deveriam estudar um pouco a história do lugar onde vão falar e saber antes sua posição geografica, para evitar constrangimento para quem os ouve. Honestamente, deveriam abandonar o recinto e exigir uma retratação, afinal ofenderam essa gente que são tão brasileiros quanto qualquer outro de qualquer estado, do sul ou do norte. Depois dessa, como censurar o Rob Willian.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Pensando na Violência...


O QUE É VIOLÊNCIA?
Desviar dinheiro publico? Entregar merenda estragada e com preços super faturados?
Abusar de um cargo publico e exercer um poder para o qual não esta capacitado?
Bater na companheira(o) ou mesmo cometer assassinato por motivo qualquer?
Violentar crianças, censurar jornais, torturar presos, invadir a privacidade de alguém?
Poderia passar o dia tentando enumerar e o tempo seria curto.
Estamos tão envolvidos nessa teia que muitas formas de violência se tornam "normais".
Patrular as amizades, com quem se fala no MSN, Orkut ou outra forma de comunicação eletronica, seja pelos pais, maridos, mulheres ou afins também é uma forma de violência, principalmente quando ultrapassa certos limites, o da segurança, no caso dos pais. Mas não há justificativas para as interminaveis perseguições cometidas pelos companheiros e vinganças idiotas com publicações de fotos de momentos intimos, quando do fim do relacionamento. Somos violentos, inescrupulosos, sem carater e nos ocultamos numa moralidade que não tapa  a verdade. Muitos dirão: " Eu nunca fui violento com ninguém!". Será?
Pequenas maldades também são formas de violência. Quem nunca as cometeu?

domingo, 29 de novembro de 2009

O tempo

De repente, voce olha a sua volta e não vê ninguém. Voce já não tem 20 anos. Todas as lembranças estão no passado. Não adianta procurar; seus amigos, também envelheceram e se ocultam, os ainda vivos, no aconchego, ou não, de suas casas e casamentos.
Cade aquela disposição para sair e se divertir? Onde encontrar pessoas para falar a minha "lingua" e entender o que digo?
Apesar de ouvir meus ídolos cantando no rádio e T.V., não me encontro e não me reconheço na multidão.
Hoje, com a calma que só o tempo nos dá, consigo ver as diferenças; Crianças tem seu mundo, adolecentes e adultos estão separados, depois, são os que estão na reta final. Cada um tem seu tempo de chegada e nesta corrida, ninguém quer ser o primeiro.
Aqui no meio onde me encontro,posso observar os que vão a frente; passos lentos, realizações no que foi, no que fez, no que viveu. Aqueles que ainda não passaram pela marca que separa a intensidade da juventude e o esquecimento da velhice, correm, se batem em busca de nada. Muitos perecem antes do tempo, poucos aprendem a viver um dia após o outro. Também fui assim.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

(des)Caminhos...

Todos os caminhos me levam ao mesmo lugar... a MORTE.
Mas continuo a caminhar e apreciar as belezas da viagem.
Sempre estarei em perigo, sentindo todos os sentidos, amando eternamente, pois de outro modo não sei viver. Trocando o certo pelo desconhecido, arriscando a perder, mas também a ganhar, não há outro modo.
Sentindo a dor da saudade e a felicidade de ter feito tudo o que fiz; Certo ou errado. Aprendi muito mais nos erros e por vezes lamento alguns acertos.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Relacionamentos


Nem sempre é como gostariamos...
Seja marido, mulher ou espelhos...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Naufrágio


Equipes de busca... inútil.

Ultima viagem de Sebastian


Meu amigo partiu para uma viagem. Sentia-se ferido e precisava curar-se.
Soube que o navio em que viajava sofreu um acidente. Buscas foram feitas mas seu nome não consta entre os sobreviventes. Adeus amigo Sebastian. Sei que não esta morto e que algum dia nos encontraremos outra vez. Até lá, sentirei saudades.
Saudades que hoje eu sei do que e sei de quem.
Faça uma boa viagem, meu amigo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Hora de virar a Página... seguir em frente

Há dias que saio numa busca inútil tentando encontrar quem não quer ser encontrada.
Me perco em pensamentos, caminho por todos os lugares por onde 'ela' possa ter passado.
Pessoas estranhas, conhecidas, me indicam um caminho, procuro em vão.
Por vezes sinto o ridículo desta busca e tento mudar o caminho... encontro atalhos, volto a trilha.
As horas passam, a vida continua seu eterno caminhar, sem olhar para trás, sem remorsos, sem arrependimentos. Lá ao longe vejo a MORTE, não consigo precisar a distancia, mas sei que ela esta lá.
Meus passos já foram apressados, meu rosto esta queimado pelo sol, sinto as rugas marcarem meu semblante... São açoites na carne nua. Amores contidos, lugares desconhecidos.
É hora de mudar o rumo, seguir por outro caminho, traçar um norte e evitar desvios. Todos os caminhos levam ao mesmo lugar, mas a viagem nunca é a mesma. Ainda posso sentir cheiros de ontem trazidos pelos ventos do passado, mas passaram... ficaram lá. Hoje não é o mesmo sol que me queimou no verão passado.
Não é a mesma chuva que molha meu rosto e se mistura com as lágrimas. Estou em uma busca, perdido, só tenho o sol e as estrelas a me orientar, mas há dias nublados, chuvosos e tenho que continuar andando.
Há quanto estou em busca de mim... já não sei! Nem sei mais a quem eu quero encontrar. Sei apenas que devo seguir em frente.


Saber Amar.... saber Omar

As vezes procuramos e não encontramos palavras para expressar um sentimento.
Uma hora qualquer, ouve-se uma música, le-se um poema, poesia ou 'post' de alguém em um blog. Lá esta a resposta. Aquelas palavras foram feitas para voce. Parece que leram seus pensamentos. Hoje os "Paralamas do Sucesso" cantam para mim.


SABER AMAR

 
A crueldade de que se é capaz
Deixar pra trás os corações partidos
Contra as armas do ciúme tão mortais
A submissão às vezes é um abrigo

Saber amar
Saber deixar alguém te amar

Há quem não veja a onda onde ela está
E nada contra o rio
Todas as formas de se controlar alguém
Só trazem um amor vazio

Saber amar
Saber deixar alguém te amar

O amor te escapa entre os dedos
E o tempo escorre pelas mãos
O sol já vai se pôr no mar

Saber amar
Saber deixar alguém te amar

Há quem não veja a onda onde ela está
E nada contra o rio
Todas as formas de se controlar alguém
Só trazem um amor vazio

Saber amar
É saber deixar alguém te amar



segunda-feira, 2 de novembro de 2009

MI CUMPLEAÑO

Me foi permitido:
Ultrapassar meio século.
Ver a chuva e o sol,
Sentir a pele bronzear no verão,
Congelar os pés na geada que ha muito não cai em minha região.
Meio século!
Parece pouco, quando a espectativa é de setenta ou mais.
São dois terços.
É realmente pouco depois de te-los vividos. 
Quando completamos mais uma primavera, valorizamos tudo a nossa volta;
Cada detalhe, um beijos, um abraço carinhoso,
As mensagens...
Presentes? Não são mais necessários.
Presenças? Todas são importantes.
Depois dos 50, vale mais o fazer agora,
Dizer o que sentimos no instante que sentimos e,
Não tememos dizer "Te amo".

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vestidos de NOIVAS...

  Para a MANU  que sempre apresenta o vestido e a noiva, um noivo fantasmaMinha homenagem sincera a sua doce presença, (no blog) que a faz tão apaixonate. Para voce uma plantação de tulipas vermelhas.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

DESEJOS




Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

(Carlos Drummond de Andrade)



A Vida



...O amanhã não está assegurado a ninguém, jovens ou velhos.
Hoje pode ser a última vez que vejas aqueles que amas.
Por isso não esperes mais, fá-lo hoje, porque o amanhã pode nunca chegar.
Senão, lamentarás o dia em que não tiveste tempo para um SORRISO,
um ABRAÇO, um BEIJO
e o teres estado muito ocupado para atenderes esse último desejo...

(viagensdaluisa.blogspot.com)
É assim, vi, gostei, copiei, publiquei.


TICIANO, o pintor


Mulheres...
Quem resiste aos seu encantos?

Leonardo


Não há o que comentar, mas deixa espaço para tal.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Viagens



                                      Velas arriadas.
 Ancorei o meu navio.
Adiei minhas viagens.
Aguas calmas na superfície,
Turbilhão abaixo dela.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

(Amar se aprende amando)















             O amor antigo.
 O amor antigo vive de si mesmo, não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige, nem pede. Nada espera, mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas, feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito, e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona aquilo que foi grande e deslumbrante,
O antigo amor, porém, nunca fenece e a cada dia surge mais amante.
 Mais ardente, mas pobre de esperança. Mais triste? Não.
Ele venceu a dor, e resplandece no seu canto obscuro, tanto mais velho quanto mais amor.
Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 20 de outubro de 2009

TERÇA-FEIRA


Acordou normalmente como nas últimas semanas..
Exceto por um sonho ruim..um pesadelo..
Sentiu o dia estranho..
..não entendia...”ainda é terça-feira” - se repetia..
O sonho a fez não parar de pensar...pensava em tudo..e não entendia nada..
Não parou..um segundo sequer...
Não comeu..não tinha fome...
Há dias não sentia fome..
Trabalhou como quem trabalha programado..
Se estranhando a cada gesto..
Jura que sentiu calafrios..
Não entendeu.....”ainda é terça-feira” - dizia..
Uma dor de cabeça a perturbava como a um demônio que perturba os bons homens...
A vontade era de desaparecer..não existir e só..não respirar..
Suplicava isso em pensamento como quem suplica em prece a própria vida..
Apenas por um segundo deixar de pensar..não sentir..
..’pudera eu viver sem coração’...
Um turbilhão...preferia a morte a ter que pensar em qualquer coisa...
A ponto de explodir...
Perdera a noção das coisas quando sentiu uma mão em seus ombros..
..”- é pra você” - dizia o rapaz –
..uma pausa..um segundo..sem chão..sem ar..
Mal olhou o envelope..já sabia de quem era...a que se referia..
Não disse nada..
Apenas sorriu..sorriu um riso sem graça..tímido..sorriu e voltou ao trabalho..
Ele não imaginava..mas por mais uma vez..tantas que já perdera a conta, tinha salvado a menina tão boba..tão confusa..
Lhe roubou um suspiro doce..ouviu seus gritos..naquele momento sentia-se abraçada..acalentada pelo peito quente..seu porto-seguro..menino-heroi..cavaleiro andante..errante..don Juan..doce (....)...
A saudade a esmagava..era capaz de sentir dor..uma dor física que não saberia explicar..nem se tentasse..o que não era o caso..
Continuou calada..a hora passou como num clarão..um flash..não se lembra de muita coisa....as palavras..”inesquecível”..leu tudo..mais de uma vez...as palavras..os desenhos..sua história..releu sua vida..um segundo...
Lembrou uma musica..
“..e a história que nem passou por nós direito ainda..pra onde é que foi..”..
Não saberia agradecer.... e não tentaria..
..depois daquilo não pensava em mais nada..apenas sorria..e repetia..
..”..e hoje ainda é terça-feira...”.
- ao meu querido (......) dono das minhas idéias..

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Fragmentos...

Amores proibidos...
Que atire a primeira pedra quem nunca os teve. Mas, deixe-me sair da frente primeiro...Sou culpado.

.... Amo-te em segredo...
Embora não faça segredo deste sentimento...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Querer

Não te quero senão porque te quero, e de querer-te a não te querer chego, e de esperar-te quando não te espero, passa o meu coração do frio ao fogo. Quero-te só porque a ti te quero, Odeio-te sem fim e odiando te rogo, e a medida do meu amor viajante, é não te ver e amar-te, como um cego. Talvez consumirá a luz de Janeiro, seu raio cruel meu coração inteiro, roubando-me a chave do sossego, nesta história só eu me morro, e morrerei de amor porque te quero, porque te quero amor, a sangue e fogo. Pablo Neruda

SE EU MORRER...

Se eu morrer, como diria Vinicius, chore se quiser; prefiro que sorria. Terei cumprido meu tempo neste mundo e viverei entre os mortos até que morra nas lembranças. Não me elogie muito; cometerá exageros. Sei que fui um cara legal,simpático, amável e acima de tudo muito modesto. Mas contenha-se. Caso alguém diga que eu não prestava, defenda-me. A única coisa que quis roubar foi um beijo seu. O coração?, me perguntaria por certo:Não! Nunca quis rouba-lo. Não nego porém,que sempre desejei que mo desse de livre e expontanea vontade. Se me chamarem de santo, conteste. Não mereço ser canonizado, mesmo que tenha feito um ou outro milagre.Diga para todo mundo que fui um amigo, um anjo que sempre a ajudou a levantar-se, embora nunca tenha impedido que caisse. Se o fizesse, voce não aprenderia a andar. Acaso tenha vontade de dançar, dance! Estarei cantando a canção que mais gosta.Terá a vantagem de não ouvir minha vóz desafinada. Toda vez que uma lágrima rolar, embora não sinta, estarei ao seu lado para conforta-la. Mesmo quando me esquecer nos braços de outro, saiba, estarei feliz e poderei enfim, seguir meu destino rumo a morte final e eterna. A morte do esquecimento.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Coisas da Ditadura

Vendo em um jornal televisivo, uma reportagem sobre um novo equipamento para verificação de passageiros nos aeroportos de Londes, lembrei-me de um episódio que ocorreu comigo pelos idos de 1982,
quando a ditadura no Brasil ainda era forte e todos que trabalhavam para o estado, se sentiam superiores a reles cidadãos como eu.
Bom, o fato é que nessa época, tinha um bar no centro da cidade, onde eu trabalhava por 12 ou mais horas todos os dias. Havia nas proximidade, muitas lojas, quase todas de libaneses ou chineses, pessoas muito trabalhadoras e gentis. Em uma delas, trabalhava uma garota que embora noiva, vinha todos os dias me ver no trabalho e jogar um pouco de conversa fora, na hora do almoço. Era apenas uma paquera sem maiores consequencias (Em 1982?). Numa segunda feira, ela apareceu no bar, toda queimada de sol e andando como um "robo". Tinha passado o final de semana em Santos. Praia Grande era o destino de todo interiorano que se aventurava ao litoral. Eu tinha uma maquina fotografica que para a época já estava ultrapassada, mas ainda a usava para fotografar. Comecei a fotografa-la na calçada em frente ao bar. Foram apenas algumas chapas. Nos divertimos um pouco e voltamos a nossos afazeres.
Algumas horas mais tarde, surge na porta do bar uma viatura da Guarda Municipal com vários guardas e dois homens espumando de raiva.
__ É aquele ali. Disse apontando em minha direção.
Um dos guardas vem até mim e diz;
__ Voce esta preso. Pegue a maquina fotografica que voce estava usando e venha omigo.
Não entendi nada. Ninguém entendeu. O comercio parou para ver o que se passava.
Peguei o objeto que estava me levando a prisão e o segui.
__ Procure o Dr. Tarcísio, disse aos meus amigos que não sabiam o que fazer.__ Vou para o 1º Distrito.
Era para lá que levavam todos os presos da cidade. A notícia correu como fogo em polvora.
Antes de ser levado para a delegacia, passei pelo quartel da guarda. Um comandante, tenente Barbosa, me aguardava.
__ É este o sujeito? Perguntou sem me olhar.
Antes de receber a resposta, voltou-se para mim e apontando o dedo em riste:
__ Eu vou acabar com voce, marginal.
Os dois homens que acompanhavam os guardas, eram o pai e o noivo da garota fotografada.
__ É ele que estava fotografando minha filha com uma dessas maquinas modernas que tiram a foto de roupa e a pessoa aparece nua.
O incrível é que naquela época não havia sequer camera digitais, celulares e internet.
Depois de muita ameaça e uma ficha quilometrica, fui levado a presença do delegado. Não me lembro do nome dele.
O pai da moça, descreveu o fato ao delegado e olhando para mim:
__ Quero esse... sujeito na cadeia.
Pacientemente o delegado, que já havia recebido um telefonema de advogado, dirigiu-se a mim.
Pediu a maquina e a examinou.
__ É apenas uma maquina comum.
__ Quero esse sujeito na cadeia! Esbravejou o pai da moça.
__ Bem, falou o sensato delegado, não posso prende-lo. Não há crime em fotografar pessoas na rua.Senão, teria que prender todos os jornalistas da cidade.
__ Mas ele não pode ficar impune!
Então, o delegado pegou a maquina, abriu-a e retirou o filme danificando-o.
Pegou uma tesoura e picotou-o todo.
__ É o máximo que posso fazer! Esta bem, podem voltar a seus afazeres.
É claro que não deixou todo mundo feliz, mas me senti aliviado.
De volta ao bar, de repente apareceu gente de todos os lados para saber o que havia acontecido. O bom do negócio é, que ninguém ficou sem gastar um pouco e assim, o faturamento foi ótimo.Naturalmente que depois disso,queriam que eu arrumasse uma encrenca de vez em quando.
Fico aqui pensando com meus botões: Como é polemica essa nova tecnologia e perigosa... por causa dela, fui preso 30 anos antes de ser inventada.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Dia das Crianças.

Gostaria de liberar a Criança que vive em mim e brincar com todas as que amo. Queria dar-lhes doces e um abraço. As vezes esta criança aflora e brinca. Mas a maioria das vezes, tenho que sufoca-la no adulto e fingir que esta feliz. Os adultos são muito serios, sisudos e pouco sorriem. Eles tem um humor que só acham engraçado quando eles contam a piada, mesmo que não tenha graça nenhuma. Mas quando não estão por perto, minha criança vive e brinca comigo. Ela gosta que conte estórias, faça desenhos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Naira Ribeiro, uma adaptação.


Você já era minha.

Eu brincava que você era minha.
Quando eu te via, tudo mais era preto-branco,
Eu só enxergava seu cheiro, só sentia tuas cores,
Só ouvia teu calor, só me aquecia com a tua voz.
Tudo bagunçava meus sentidos,
minha razão, minha lógica.
E eu, sempre tão forte, tão ao acaso,
Só via os outros como mera distração, diversão até.
Mas com você por perto eu viro do avesso.
Você senta do meu lado, eu estremeço por dentro.
Você percebe, se atreve, chega mais perto,
Eu quase posso sentir que você é minha,
Mas penso o quão isso é irreal.
Eu sou tão comum.
Você, tão surreal.
Mas o mundo é tão ilógico.
E então, no meio dos meus secretos devaneios,
Os seus lábios encontram os meus.
Sonhei?!
Em silêncio você me deu sua mão.
Você me sorriu. Eu sorri de volta:
Não precisava ter brincado,
Você já era minha.
Pura verdade!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Viagem de trem. Uma aventura.

Muitos dizem que não gostam de S.Paulo por acha-la suja, barulhenta e cheia de gente.Muita gente; de todo tipo, matizes e procedência. Para mim, é uma deliciosa aventura. Ver pessoas, ouvir suas histórias entrecortadas pelo chegar e partir em cada estação. Me fascina observar a maneira de se vestir, falar e se comportar na multidão. Pessoas feias; lindas na naturalidade, na expontaneidade de gestos e falas. Contam suas vidas para os que as acompanham, sem se importarem que outros a sua volta as ouçam. Sentem- se em total privacidade e segurança na multidão.
Sentado em um banco qualquer, vejo pessoas que não me vêem, ouço-as sem ser ouvido. Muitos me olham, poucos se importam com minha presença. Talvez nunca mais voltemos a nos encontrar. Observo cada pessoa a minha volta e tento decifrar seus pensamentos, de onde vem, como vivem. É um exercício banal, apenas um passatempo. Na verdade não estou bisbilhotando a vida alheia. Sinceramente, admiro essa gente, gosto de estar no meio e ouvir as histórias, sentir os cheiros, nem sempre agradáveis. Da janela posso ver casas amontoadas, vermelhas, substituindo os barracos de madeira, tão comuns nas favelas paulistanas.
Lembro-me das viagens que fazia tempos trás... muito tempo... O trem fazia longas viagens, atravessava estados. As vezes ficava doze ou mais horas ali num balanço constante: " Café com pão... bolacha não... Café com pão, café com pão..". Ou como dizia o poeta: " O povo tem fome... o povo tem fome... dá de comer..." e quando chegava à estação ia dizendo: " cala a boca... cala a boca... vou te prender..." e parando "SSSSSSSSSSSSSSS".
As viagens de hoje são curtas. Divirto-me muito, me deixo envolver nessa aventura que fascina e acalma....

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Primavera

Esta é a mais bela das estações do ano para mim. Nasci na alta estação, fim de Outubro. Quando se aproxima o fim do inverno, fico melancólico, sucetível a romances e vontade de fazer estravagancias por "amor". O espirito poeta aflora e os pensamentos viajam para lugares que só os poetas conseguem chegar. Tudo é motivo para namorar, beijar, agarrar e ficar colado num abraço. Os cheiros são penetrantes e embriagam. Há um desejo de conhecer novos lugares, novas amizades, mesmo que seja com velhos conhecidos. Ver o mar...ah! o mar. Passear pela serra, minha vizinha e observar a vida florescer. Bem vindos a nova estação. Aproveitem, pois ela também é passageira e logo visitará outros lugares. Gostaria de acompanha-la.
Para Rosa Maria, em Portugal, um abraço...bons dias de inverno.

Modernidade

Tenho observado pessoas. É um passatempo que costumo fazer em todos os ambientes em que me encontro. Embora quase ninguém se dê ao trabalho de observar o que se passa ao redor, é um exercício que nos ajuda a conhecer e entender as pessoas. Noto em minhas observações que cada dia mais, com as facilidades da vida moderna, muitos estão se "imbecilizando". Parece-me que há um grande conflito. As pessoas não são capazes de fazer e agir com simplicidade, se mostram egoístas, narcisistas e tantos outros "istas" que chego a pensar que vivo em outro mundo. As relações pessoais que deveriam ser de troca, compartilhamento, apoio, ainda são paltados por pensamentos medievais, onde o macho, com apoio das religiões, tudo podiam.
Nós evoluímos, ou não? Além de vermos um total descontrole nas coisas mais simples, como andar pela cidade. Talvez a falta de espaço e o ter que dividir é que esteja transformando as pessoas. Todos estão mais agressivos, impacientes e dispostos a usar da violência para impor um desejo muitas vezes banal. Somos apenas "objetos" de posse de alguém que se julga dono de nossas vidas. Somos pessoas livres que desejam viver a vida e se possível compartilhar com outras essa alegria.
Hoje esta um dia radiante, depois de muita chuva e frio.
Mando flores para duas meninas que vejo pelos blogs; Naira e Manu. Na outra ponta do país.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Silencio...ainda

Tantas palavras, sentimentos aprisionados...Contidos... somente o som do Silencio pode ser ouvido. Meus pensamentos gritam tão alto que por vezes podem transpor essa barreira.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

???

HÁ DIAS QUE MUITO QUEREMOS DIZER E O SILENCIO É O MELHOR QUE PODEMOS FALAR.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Nuvens no Horizonte.

O sol brilha; radiante o dia.Fim de estação. O inverno se foi. Pássaros, flores, vida nova.
O cheiro das manhãs embriaga, marejam os olhos. Saudades de dias que ainda não chegaram.
Desejos guardados florescem com a nova estação. Sentimentos adormecidos.
A luz abre caminho entre nuvens no horizonte. Rasga o peito, aquece a alma.
Liberto os pensamentos. Viajam em sonhos. Encontros.
As distancias inexistem. O cheiro, o suor escorrendo pelas mãos.
Por que falar... falar o que? Palavras desnecessárias.
Basta a presença... mesmo que somente na imaginação.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Os Segredos do Silêncio!!!

No silêncio guardamos nossos segredos.
Na ausência ocultamos a saudade.
A vida nos afasta aproximando e
Aproxima no afastamento.
No silêncio e na ausência
Tornamos secreta nossa dor.
A distancia não existe...
Só o tempo que se repete.
Renascemos a cada dia.
Despertamos para a morte.
Morremos a cada instante
No desejo de nossas vidas.
Segredos, silêncio, ausência!
Desejos de Morte, travestidos em vida.
Secretas vidas, jardins floridos.
Flores que exalam e murcham.
Eterno renascer...
Morrer eternamente...
Viver no pensamento,
Mesmo que podado no jardim!

Atos estúpidos

As vezes cometemos pequenos atos que se tornam grande estupidez.
Coisas simples que facilmente seriam compreendidas, transformamos em atitudes danosas que trazem prejuízos material e pessoal.
O simples ato de "pegar" algo de um amigo, irmão, conhecido, sem sua autorização, pode se transformar em "roubo" e não no emprestar inocente, sem consentimento. Por que não dizer simplesmente: "peguei, usei, estou devolvendo. Desculpe-me não te-lo avisado!
Estaria tudo resolvido. Talvez não. Mas com certeza não iria além de um xingamento: "Folgado".
O ocultar de algo tão banal, nos faz perder a confiança, trancar portas... respirar o ar pesado da acusação sem defesa. Do silêncio que condena.
Descobre-se atos repetidos, estupidez na ação. Prejuízos para quem pega o objeto e para seu "dono". Seria mais fácil; "Me empresta, deixa eu usar?".
No máximo ouviríamos: " Vai, mas volta!", ou um sonoro NÃO. Mas doeria menos que a perda da confiança e os olhos de acusação.

DESCONECTADO

Sumiu o "modem". Fui desconectado. Alguém pegou e não devolveu, alguém roubou.
Para roubar, não levariam apenas um objeto pequeno enroscado no PC. Havia outros valores.
Evidencias. Ato continuo. Alguém pegou, escondeu e me mantém desconectado até que chegue o "novo modem" Prejuízo tolo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A amizade não se explica!

A amizade não se explica!
Amigos sabem quando serão amigos,
pois compartilham momentos……dão força…
Estão sempre lado a lado…
Nas conquistas, nas derrotas…
Nas horas boas e nas difíceis…
Amizade nem sempre é pensar do mesmo jeito.
Mas abrir mão, de vez em quando…
Amizade é ter um irmão
Que não mora na mesma casa…
É compartilhar segredos, emoções…
É compreensão, é diversão…
É contar com alguém, sempre que precisar
É ter algo em comum
É não ter nada em comum…
É não ter nada em comum mesmo…
É saber que se tem mais em comum do que se imagina…
É sentir saudade, é querer dar tempo…
É dar preferência, é bater um ciúme
Amizade que é amizade nunca acaba…
Mesmo que a gente cresça,
E apareçam outras pessoas no nosso caminho…
Porque amizade não se explica…
Ela Simplesmente existe.

Pensamentos

PENSAMENTOS, pensam, pensamentos...
Pensam, pensamentos... sonhos.
Palavras, pensam... pensamentos...
O que pensar? Apenas pensar...
Somente sonhar! Pensamentos.
Sonhos Palavras, pensam.
PENSAMENTOS... Apenas pensar.

domingo, 30 de agosto de 2009

Meu Jardim.

Podei meu jardim. Tenho esperança que floresça belo, devagar, na primavera.
Limpei folhas mortas, retirei ervas daninhas. Quero-o aconchegante. Andar entre flores, me impregnar com seus odores, seu perfume.
Limpei a casa, meu quartinho. Cobri com tinta nova suas paredes, suas marcas.
Arrumei minhas fotos, meus quadros, as lembranças. Manchas ocultas... cheiros que não saem.
Estou cuidando bem de mim. Curando as feridas, mudando a roupa.
Sapatos limpos. Lento caminhar.
Sou assim; vou bebendo meu veneno, podando meu jardim.
Estou bem... cuidando muito bem de mim.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Silêncio

Há momentos em que o silêncio é o melhor que se pode dizer.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Espelhos

Estou cansado.
Cansei de repetir gesto e palavras.
De fazer coisas erradas, imaginando que são as certas.
Sinto-me como se estivesse entre dois espelhos.
Um eterno refletir da mesma imagem.
Ando em círculos por caminhos tortos a pisar as mesmas pedras.
Pés machucados, corpo cansado.
Distante horizonte, eterna busca.
Valeu a luta??? Valeu a luta!!!
Olhando no espelho, busco uma imagem inexistente:
Um abraço, um afago, uma palavra;
"Amo você!"
Ouço ecos...sons distantes, palavras ocas, ausência.
Cobram-me algo que nunca deram.
É mais fácil trocar o leito.
Buscar em outros braços o abraço que não deu.
Crucificar é fácil.
Atirar pedras também é.

Erros e acertos...

As vezes cometemos erros na tentativa de acertos. Olhamos para determinada situação e imaginamos que uma ou outra ação é a melhor para o momento. No intuito de resolvermos da melhor forma possível, levamos a cabo aquilo que determinamos como certo. Nos esquecemos por vezes que o que nos parece certo, pode não ser para outros. Quantas vezes ignoramos a opinião alheia que poderia nortear o caminho a seguir.
Somos assim. Auto suficientes. Recusamos ajuda ou simplesmente as descartamos.
Vivemos perdidos, cegos a caminhar na noite, embora o sol esteja à pino.
Somos guerreiros, rudes. Devemos suportar o rigor do inverno que assola nossas vidas. Sobreviver com escasso alimento e suprir as necessidades de outros que estão sob nossa tutela.
Nosso tempo por aqui é curto. Passamos parte da vida em total dependência e cuidados alheios.
Em nossa inocência não percebemos que também os cuidadores precisam de cuidados.
Assim, sem orientação, crescemos e trocamos os papeis. É a roda viva da existência.
Não somos treinados para a vida que nos absorve e exige força e determinação para vencermos os poucos, que se fazem tantos, anos.
De repente somos adultos e temos responsabilidades para as quais não estamos prontos.
Novamente nesse circulo, nos tornamos suporte. Deveríamos compartilhar, dividir e somar.
Tememos a presença de outros que temem a nossa. Então cometendo erros na tentativa de acertos, envelhecemos solitários.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Herois e Martires...

Heróis são homens e mulheres que lutam em terras distantes. Acreditam que o que fazem esta correto e que seus atos trazem benefícios aos povos que atacam.
Heróis são aqueles que sem temer a morte, matam pessoas que não conhecem, não entendem a língua, a cultura e os costumes da terra invadida. Quanto maior o numero de "inimigos" tombarem aos seus pés, maior numero de medalhas e homenagens receberá.
Heróis entram para a história. São lembrados por "libertar" povos de terras distantes da opressão e de terríveis governantes.
Mártires são homens e mulheres que lutam em terras distantes. Acreditam que fazem o correto e que seu sacrifício trazem benefício para seu povo.
Mártires são aqueles que sem temer a morte, perdem a vida para heróis que não conhecem.
Tombam em defesa de sua língua, sua cultura e seus costumes.
Mártires recebem medalhas e são homenageados. Entram para a história por defender o governo que elegeram. Dão a vida para impedir que terríveis governantes oprimam seu povo e domine suas terras.
Heróis e Mártires são vítimas de suas próprias crenças, seus medos.
Heróis e Mártires são mulheres e homens de terras distantes. São pais, mães, filhos.
Heróis e Mártires, morrem e matam; irmãos, tios, namoradas.
São esquecidos no tempo e na história. Heróis e Mártires são simplesmente mulheres e homens.

Explosões



Inicialmente havia preparado um texto para estas imagens.... mas elas são tão estúpidas que perdi as palavras... São bombas americanas explodindo sobre algum povo mundo afora...
E tantos choraram o 11 de Setembro. Também foi um ato estúpido.


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

SOMOS ASSIM!!!!

Há algum tempo atrás, fiz este desenho para homenagear a família. Uma colega de trabalho viu e disse que "família" tem acento. Respondi que esta é diferente, por isso não o tinha. Depois de alguns dias... meses talvez, escrevi um texto para esta imagem. É a expressão do que sinto.
" Sou um homem feliz. A vida tem sido boa para mim.
Deu-me tudo que quis: coisas boas e ruins, na proporção que lhe pedi.
Casei-me com a mulher que me encantou; Ruiva, olhar de menina levada, arisca como gata selvagem, eterno desconhecido, pouco compreendido.
Quero-a assim: é minha incógnita, meu segredo.
Tenho filhos saudáveis, belos, inteligentes. Não poderia ser diferente; parte de mim esta neles.
A primogênita, nasceu leonina, mas é como uma pantera: Dominadora.
A que reina e dá as ordens. Olhos grandes num rosto emoldurado por lindos cabelos negros.
Sensível e sentimental, de palavras ferinas e choro fácil, contagia com sua presença e espiritualidade.
A do meio, como eu, nasceu espremida entre dois extremos.
É meu reflexo no espelho; inconstante, insatisfeita sempre. Um eterno buscar de si mesma.
Como fico orgulhoso ao ver o menor, senhor de si, mestre de seu mestre a ensinar-me o que lhe ensinei. Tímido, fechado, determinado. De uma persistência que me faz pequeno.
Somos assim: pequenas galáxias habitando o mesmo universo.
O que mais poderia querer?"

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Amantes...Inimigos!

(auto)...Destruição
(Drummond)
Os amantes se amam cruelmente
e por se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são?
Dois inimigos.
Amantes são meninos estragados pelo mimo de amar:
e não percebem quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.
Nada.
Ninguém.
Amor, puro fantasma que os passeia de leve,
assim a cobra se imprime na lembrança de seu trilho.
E eles quedam mordidos para sempre.
Deixaram de existir, mas o existido continua a doer eternamente

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

LIMPEI MEU ARMARIO...

A vida sempre nos dá aquilo que pedimos. Não importa o que seja. Muitas vezes pedimos algo e não estamos preparados para recebe-lo. Reclamamos pela demora, mas não paramos para ouvir o que ela, a vida, nos diz: Você está pronto? É realmente isto que quer?
Somos sempre imediatistas, queremos agora! Queremos para ontem! Então, com toda a sabedoria começa a vida a preparar nos o caminho. Nós não a entendemos e esquecemos com facilidade o que pedimos. Com sua sabedoria ela nos dá em doses homeopáticas aquilo que desejamos, pois sabe que de outra forma nos seria letal.
Em nossa ganância e egoísmo, não olhamos a nossa volta. Não reconhecemos que outros também tem necessidades.
Cometemos erros... como os cometemos!! Mas para não admiti-los, os escondemos. Passamos a espelhar nos outros o mal que existe em nós. Estamos sempre insatisfeitos. Somos eternas vítimas e todos ao nosso redor são algozes. Sempre que nos vemos carrascos, tentamos destruir o reflexo. É mais fácil quebrar o espelho.
De repente, nos encontramos com o armário da memória cheio de esqueletos a rondar nosso presente. Nós só temos o presente. Os esqueletos no armário estão no passado. Não temos como alterar o que foi feito. A vida é uma estrada onde só se vai para a frente, queiramos ou não.
Então como me livrar dos fantasmas e enxergar o que estou recebendo da vida neste instante, pois sei o que pedi.
Ouvi dizer que tememos o novo. Que nos apegamos a coisas velhas e nos habituamos a viver do passado, de lembranças.
Só estarei livre dos fantasmas quando limpar meu armário , queimar os esqueletos e enterra-los no passado. Mas, que esqueletos são estes?
São: atos, palavras, acusações, posse da alma e da vida alheia, egoísmo, ódios... desejos de vingança....
Limpei meu armário. Incinerei meus esqueletos. Depositei suas cinzas em urna bem guardada. Deixei-as no passado.

domingo, 9 de agosto de 2009

Renovação...(re) Nova Ação.

(imagem de jornal)
Durante muitos anos, corri para apagar o fogo que principiava. Eram horas de angustia. Depois gastava dias a remendar a lona. Meu circo mais parecia uma colcha de retalhos.
Toda noite, após o espetáculo, o medo de não ter agradado, de ter sido uma atuação ruim.
Nós, palhaços, estamos sempre sorrindo, fazendo caretas, arrancando gargalhadas. Algumas vezes somos palhaços, noutras nos fazemos assim.
Um dia, olhei do picadeiro e vi que havia muitos furos, outros tantos remendos, quase não se via lona.
A atração era sempre a mesma. Faltava variedade, era pouca a qualidade e havia cada vez mais espaço entre uma apresentação e outra.
Por mais esforço que se faça, a trupe busca novos ares, monta seu próprio circo.
Outra vez o circo pegou fogo. E como de costume corri a debela-lo. A medida que a chama diminuía, senti que aumentava a angustia. Parei.
Permiti que as labaredas ganhassem vida.
Poderia deletar, esconder cada item que sei, nessas horas se tornam inflamáveis. As chamas cresceram, dominaram e começaram a destruir coisas velhas.
Sentei-me ao largo e fiquei olhando, espectador de meu próprio ato.
Enquanto arde, lembro-me de certas sementes que só germinam após grande queimada. Sei que toda vez que impedimos a natureza de seguir seu curso, não a estamos ajudando. Não permitimos com nosso ato que a vida se renove.
Sei que muito se perde num incêndio. Que meus medos e segredos se farão descobertos. Que meu circo se queimou. Acabou a lona rota, se fez cinzas a arquibancada.
Desta feita, não haverá renovação. Isto implicaria em reaproveitar coisas velhas, mascarar o antigo com ares de moderno.
Desta vez Respirar uma Nova Ação. Mas o fogo ainda não apagou. Não desperdiçarei água limpa... deixarei para regar a nova vida que sei, brotará das cinzas.

DIA DOS PAIS...dia dos filhos!

A principio apenas mais uma data comercial. Aparentemente não nos importamos. É só mais um dia como outro. Na verdade não é bem assim.
Aguardamos um "Bom dia, pai! Parabéns. Você não é o melhor pai do mundo, mas é o meu pai e o admiro com todos os seus erros e acertos."
Sabemos que com o passar dos tempos, somos descobertos como realmente somos; cheios de falhas, fraquezas e não o herói indestrutível que esta sempre certo. Somos apenas humanos, com necessidades, angustias e que embora não deixemos ver, choramos, sentimos medo. Nos fazemos fortes para que os filhos se espelhem e se façam fortes. Damos nossas vidas para que também eles conquistem as suas.
As vezes cometemos erros, extrapolamos limites e magoamos ao sermos descobertos tão humanos.
Dia dos pais... dia dos filhos...
A cada dia compreendo melhor o pai que tive e tenho por ele um respeito ainda maior.
Parabéns meu pai... parabéns meus filhos...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

AUSÊNSIA... (de palavras)

Poeta não vive sem poesia e quando lhe falta a voz, busca auxílio. Mesmo sendo como anfíbio, a poesia é o oxigenio que dá vida alimento. Não se escreve sem sentimentos, não se vive sem eles.
Hoje vem em meu socorro Vinícius que foi versejar em outros mundo.
Ausência
(Vinícius de Morais)
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar seus olhos que são doces...
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres exausto...
No entanto a tua presença é qualquer coisa, como a luz e a vida...
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto...
E em minha voz, a tua voz...
Não te quero ter, pois em meu ser tudo estaria terminado...
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados...
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada...
Que ficou em minha carne como uma nódoa do passado...
Eu deixarei...
Tu irás e encostarás tua face em outra face...
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada...
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu...
Porque eu fui o grande íntimo da noite...
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa...
Porque os meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
E eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém, porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas,
Serão a tua voz presente, tua voz ausente, a tua voz serenizada.