Omar Talih


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domingo, 1 de agosto de 2010

Uma história (i)real!

Aconteceu há muito tempo atrás. Nem me lembro quando, mas me recordo dos personagens. Quando mais jovem e solteiro, costumava sair com um amigo para os 'bailinhos'. Naquela época não dizíamos "sair para a balada", havia uma linguagem diferente e costumes também. Poucos tinham carros, alguns tinham "lambretas e vespas" ou alguma moto importada, quase raras. Saímos a pé e rodávamos pela noite, quilometros em busca de diversão.Não corríamos riscos como hoje e os 'maconheiros' de então, tinham vergonha do que faziam e o faziam as escondidas. Nessa época, era eu um dos poucos que possuíam um carro, um corcel 75 quatro portas, marrom escuro. Era um luxo. Para os padrões de hoje "horrível", nem de graça. Até ferro velho recusa. Mas, em uma destas festas, meu amigo conheceu uma garota e acabou ficando com ela. Não no sentido de hoje de "ficar". Após várias tentativas, acabei ficando sozinho, mas não poderia abandonar meu parceiro, pois havíamos saído juntos e apenas eu tinha carro. Por volta de meia noite, chamei-o e disse que iria embora, se ele queria carona e que poderia levar a "mina" que tudo bem. Após conversar com ela, aceitaram a carona e fui de motorista particular. Sou moreno, nem negro, nem branco, espremido entre os dois. Ela, loirinha e tão branca que parecia cor de rosa, ele branco que nem frango de mercado. Parecia cena de novela da globo. Acomodaram-se no banco traseiro e esqueceram que estavam com mais alguém. Mas, naquele momento, eu era apenas o motorista. Por sorte dele e azar meu, ela morava perto do bairro que morávamos. Assim concordei em leva-la até sua casa. Começamos a viagem e eles parecia comportados, mas foram aquecendo aos poucos. Num determinado momento, um pé passou a poucos milímetros de minha cabeça e roupas começaram a voar pelo carro. Eu apenas prestava atenção no caminho. De repente começou uma gemedeira e gritaria dentro do carro que parecia que eles estavam brigando. Os chutes nas costas foram muitos durante o trajeto. Entramos na vila e próximo a casa dela havia um bar que ficava aberto até altas horas. Como eles não tinham terminado o que começaram, parei o carro e fui para o bar. Tomei um guaraná, comi uma coxinha e pedi para embrulhar quatro e uma garrafa de coca-cola, de vidro, naquele tempo ainda não se usava descartáveis como hoje, assim tive que pagar também pelo "casco". Também não se usava copos descartáveis, teriam que tomar no bico. Voltei para o carro assim que percebi que ele não balançava mais tão freneticamente. Abri a porta do motorista e ela apressada tentou se cobrir com a camisa dele ao que repreendi; " Vergonha do que?". Ela apenas deixou cair a camisa e nada falou. "Estão com fome? _ Perguntei". Sem cerimonia ou qualquer palavra, ele pegou o pacote de minha mão, pegou uma coxinha, colocou na boca e deu o saco para ela. Muito gentil de sua parte, disse eu. Como uns perdidos no deserto, eles devoraram os salgados e tomaram todo o refrigerante. Após colocarem as roupas, ambos desceram. Como nas novelas, olhou para mim e disse: "Pode me deixar aqui, depois vou para casa a pé, estamos perto." Nem obrigado, nem tchau, nada. Se abraçaram e se foram, como se houvessem descido de um táxi. Sequer perguntaram quanto eu tinha gasto. O que eu podia fazer? Afinal amigos são para essas coisas. Só me restou ir para casa e dormir. 

4 comentários:

  1. O.O que coisa hein!! Eu daria um esporro nos amigos se me fizessem de vela e motorista!

    bjoooo

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  2. bem... o que o amor faz, perdição total
    Bj

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